Toffe

Pequeno Toffe, desde o primeiro dia da sua vida, quando você cabia na palma da minha mão, eu soube o quanto você era especial.
Mesmo quando sua perspectiva de vida era de apenas um ano, nós dois sabíamos que iríamos lutar. E lutamos.
Lutamos quando a sua mãe peluda partiu e eu te alimentei e aqueci, durante três meses, até você ficar mais forte.
Quando seus olhinhos abriram, foram a mim que viram.
Lutamos na sua primeira convulsão, com apenas duas semanas de vida.
Lutamos quando descobrimos que as suas patinhas tinham problemas, e apenas uma delas permaneceu assim, o que acabou sendo o seu charme.
Lutamos quando descobrimos seu problema respiratório, o que acabou, junto com as convulsões, cansando seu coraçãozinho.
Lutamos quando a sua coluna não mais aguentou a pata manca.
Tratamos com fisioterapia, que por sinal, você adorava!
Lutamos quando seu fígado não mais aguentou o gardenal. Substituímos.
Lutamos quando cálculos obstruíram a sua uretra. Operamos.
Disso tudo, do um ano de vida que te deram quando nasceu, em uma cama dentro do meu quarto, se passaram nove anos, oito meses e vinte e oito dias.
Meu filho, você não foi só um cachorro.
Você foi o ser mais especial que poderia ter aparecido na minha vida.
Com você, eu nunca tive um cãozinho que brincasse, mordesse coisas e latisse. Com você eu tive um filho, cheio de personalidade, que ficava emburrado depois de comer, que colocava a cabecinha na minha mão pra ganhar carinho, ou a puxava com a patinha, com o mesmo intuito.
A sua demonstração de felicidade era rodopiar, para depois, andando de ladinho, vir me mostrar o quanto éramos felizes juntos.
Quando tudo isso te cansava, ganhar carinho e etc., você, de uma forma muito repentina e só tua, rosnava e tentava morder quem estivesse com a mão por perto.
Seus olhinhos, muitas vezes desconfiados, eram sempre brilhantes.
Sempre acreditei entendê´los.
Contudo, nos últimos dias, não quis ver a verdade.
Imaginei estar vendo um pedido de socorro, mais uma batalha para vencermos juntos.
Na verdade, seu olhar, muito, muito brilhante, era um adeus…..
Toffinho, teu pai me disse que mãe sente. No fundo eu senti.
Na noite em que você partiu, senti que você estava cansado. Só não podia, e não queria, acreditar. Você se foi e agora só ficou a saudade.Ainda dói.
Todos os dias me pego chorando e pensando em você, meu filhote.
Posso te dizer que a dor insuportável, sufocante que senti no dia que você se foi, e ainda sinto, é compensada por todos os momentos que passamos juntos, já que se a dor e a saudade existem, é porque o amor também existe.
Tenho certeza que hoje você é um anjinho lindo, rodopiando em um lugar calmo e tranquilo, sem qualquer sofrimento.
E pode esperar meu filho, um dia, que pode ser muito distante no tempo normal, mais nem tanto no seu tempo hoje, eu, o papai e o Link iremos te encontrar.
Preciso acreditar nisso e que você está bem, mesmo estando longe de mim.
Preciso acreditar que um dia nós quatro, nossa primeira família, vai estar junta novamente.
Fique em paz meu Pretusco.