Scooby Doo

Não lembro quando foi o dia, mas lembro que era domingo, estava chegando da casa da minha vó, abri a porta e minha mãe disse que tinha uma surpresa pra mim. Você. Você veio correndo como um maluquinho, agitado, pulando. Eu não podia acreditar, eu perguntava se era meu e minha mãe dizia “sim, é seu” talvez o dia mais feliz da minha vida. Perguntei qual era seu nome e minha mãe disse que te chamavam de Robin. Isso mesmo: Robin. Você não parecia Robin e nem atendia por Robin. Na hora eu disse: Scooby doo. Meu irmão foi a loucura e minha tia também, então era isso ai. Primeira noite você chorou e me senti tão mal, tirando você do conforto do seu lar para um lugar tão estranho. Com o tempo você foi se acostumando com a casa, mas ainda se sentia estranho. Me lembro que em seu primeiro banho achei que iria morrer de tanta raiva que você sentiu. Mas sabia que não era pra sempre pois sempre foi extremamente amoroso. Suas festas quando eu chegava em casa me fazia me sentir a pessoa mais especial do mundo, sua felicidade em me morder toda e tirar meu elástico de cabelo era o que mais me tirava sorrisos, seu interesse na hantara me mostrou como a natureza se completa. Passamos por tudo, desde passeios no parque cansativos, vômitos no carro, fugas na rua, xixi na cama, roubo na mesa, destruição de propriedade intelectual, até perrengues que me tiraram o fôlego. Você sempre foi diferente, um York grande, lindão com pelos que mudaram tanto de cor, dentinhos iguais aos meus. Com o tempo seu temperamento foi ficando idêntico ao meu: ranzinza, briguento, malcriado, manhoso, preguiçoso. Sempre foi meu companheiro, sempre me escolheu como sua parceira de crimes, sempre me defendeu, sempre me apoiou a largar os estudos e virar sua escrava de carinho. Sentava no meu ladinho na mesa pra comer, deitava em cima do meu bordado, do livro, do que fosse que estivesse atrapalhando seu espaço para carinho. Nunca me tratou como se eu fosse sua mãe, mas sim sua irmã, sua melhor amiga. Quantas vezes você não parou de reclamar enquanto a mãe não brigou comigo? Quantas vezes você mesmo não brigou comigo? Quantas vezes você não fez drama e também ignorou meus dramas. Eu sei que tinha muito amor nesse seu coraçãozinho forte, sei que tinha muita inteligência nessa sua cabecinha loirinha.
Muito obrigada pelos momentos bons e me desculpa pelos momentos ruins. Sinto muito pelas suas dores e pelas minhas faltas, se você falasse eu sei que nossas conversas seriam infindáveis.
Hoje não vai ser a última vez que choro de saudade, que sinto sua presença, mas isso não significa que eu não quero que você não fique em paz. Eu quero que você encontre o seu paraíso, pois você já me proporcionou o meu. Meu coração é todo seu, meu amor estará sempre zelando por ti e todo meu carinho foi junto contigo para te agradar pro resto da eternidade. Obrigada por me mostrar o que é realmente amor e como é amar incondicionalmente. Sei como você sofreu nos últimos tempos e sei que o momento que você escolheu para partir foi o que você sentiu que todo o amor dessa casa era todo seu. Obrigada por me dar a chance de lutar ao seu lado e ter feito todo o possível para te ajudar. Um dia a gente vai se encontrar pra eu poder te mimar de volta. Ave atque vale, meu bebê de pelo, te amo para todo sempre e além.