Neko

É difícil esquecer um gato como Neko. Cheio de manias. Miava às 5 da manhã, quase como um relógio. Escondia-se como ninguém e toda vez que era descoberto mudava de esconderijo. Gostava de passear pelo muro, e pela cobertura da garagem, onde podia ficar horas observando o movimento dos que passeavam na ciclovia. Ficava no jardim, se escondia entre as plantas e sempre de olho nos passarinhos no gramado, mas gordo demais para ser uma ameaça a qualquer um deles. É claro que, um resumo de seis anos de convivência não diz tudo, mas evita que se lembre apenas do final que não foi justo com um gato tão fofo: patinhas estendidas como esfinge; dormir no vaso sanitário ou beber água da pia; dormir em cima do microondas; quando dava aquela voltinha na grade se segurando na tela; ou quando chegava até o telhadinho da entrada e chorava pra alguém o tirar; rolando com o Pitufo na grama; dormindo bem no centro da cama, ou adotando um travesseiro (em geral o do Pitufo). Definitivamente um texto não esgota tanta convivência, mas ameniza uma ausência sufocante. Que descanse em paz meu gatinho monstro, todos vamos sentir saudades das muitas “monstruosidades” que fazias.
Camila, Jana, mãe e pai