MEL BROWNIE

Uma mensagem para Mel
Ah, o ser humano, na sua racionalidade, pensa, analisa, escolhe, esconde… Ah, o ser humano, na sua incompreensão, um tanto forte, ao tempo que vazia, quanto ao sentimento, um tanto controlável, ao tempo que indomável, de perdas, de queridos, de queridas. Ah, o ser humano, alguns entristecem, até choram, até soluçam, alguns até compreendem o ser cãozinho. Ah, os cãezinhos, de cuja irracionalidade não brota pensamentos, análises, escolhas, escondidos, mas, sim, pura devoção, companheirismo, sinceridade, sinceridade. Chegando-se em casa, a recepção, o abanar da cauda, o movimento da patinha a solicitar carinho, gratuito, sincero. A chamada para o jantar, a comidinha, a necessidade do saciar, juntos. Ao deitar-se, o aconchego da cama maior, do dono, ou da sua própria, macia, quentinha, a necessidade do repousar, juntos. O despertar, espreguiçado, o abanar da cauda, o “bonjour”, gratuito, sincero. O dia passa, trabalhando-se, mas chega a hora do retornar, do encontro, de tantos encontros e reencontros, de tantos abanos da cauda. São dias, uma coleção de dias, meses, uma coleção de meses, anos, juntos. Mas, tudo é finito, a cauda e a patinha o são. Infinita seja a necessidade do amor, da lembrança, ainda que regada a lágrimas e soluços, dos momentos preenchidos juntos, gratuitos e sinceros, com uma cachorrinha chamada Mel.