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Hoje tiramos o dia pra falar de você. Pra pensar em você. E reconstituirmos boa parte da nossa vida juntos. Pois foram 12 anos de uma convivência linda, alegre e cheia de ensinamentos de ambas as partes.
Quando você entrou em casa, cabia na palma da nossa mão. E vinha em papel de presente, um pedido da nossa caçulinha que acabara de passar no vestibular. Foi um momento muito marcante porque, naquele dia, você entrou na nossa casa e na nossa família para sempre.
E aí foi crescendo em tamanho, atividade e esperteza.
Aos poucos, você foi aprendendo alguns hábitos próprios da sua raça e algumas lições que começamos a lhe ensinar, pra que você tivesse bom comportamento. Como valeu a pena ver você dar a patinha pra cumprimentar uma pessoa, principalmente um visitante!
E isso ajudou, porque aos quatro anos você abandonou a corrente e passou a andar ao nosso lado sem nada que a prendesse. Sempre obedecendo às nossas ordens, quase sempre prontamente atendidas. Lembramos de quando você passeava pela Silva Jardim e pela Sete de Setembro, soltinha, farejando os portões fechados, os seus amiguinhos trancados e eufóricos com a sua presença e você mostrando sua liberdade, com o seu inconfundível rabinho em forma de “C”. Quantas vezes você saiu de casa pra passear sozinha, lembra? Ia e voltava numa boa. Conhecia como poucos a redondeza do prédio onde você sempre morou.
Meguinha, como ficávamos orgulhosos de ver você chamar a atenção das pessoas pela sua beleza e pela sua língua roxa. Você foi a primeira da sua raça no nosso bairro.
Nunca vamos esquecer os seus hábitos e habilidades. Como reconhecer as campainhas da entrada principal e de serviço.
Nós nos alegrávamos de ver isso.
Mas, nada foi tão significativo como suas manifestações de amor, companheirismo, carinho e alegria. Vimos em você, na prática, o que é amor incondicional. Sempre fomos recebidos com festa por você. O seu rabinho não escondia isso. Nem quando você nos acordava lambendo´nos o rosto ou os braços e convidando para os seus passeios diários. A sua língua roxa e os seus dentes expostos eram o retrato de um sorriso sincero.
Agora, Meguinha, 12 anos depois, vamos tentar nos acostumar sem você, depois de tudo de bom que aconteceu em nossas vidas. Desejamos que você esteja muito bem aí onde você está, livre do sofrimento físico que vinha passando. E nós aqui vamos viver com a sua lembrança e sentindo sempre a sua falta. E que falta, Meguinha! Que falta! Você não imagina quanto. Um beijo, querida. Tchau.