Luna

Hoje faz um mês que nossa menina se foi. Só agora tive coragem de vir aqui fazer esta singela homenagem para este serzinho tão especial.
Em agosto de 2004, rodei Curitiba decidida a encontrar uma beagle fêmea bem bagunceira que pudesse brincar com minha schnauzer maluca. Depois de algumas tentativas, fui parar em uma feira e me deparei com um cercadinho com três beagles. Um moço colocou uma fêmea em meu colo e, quando nossos olhares se cruzaram, tive a certeza de que ali começava um grande amor. Depois daquele colo, ela nunca mais voltou para o cercado. Veio para minha casa, na qual se ambientou num instante. Não se intimidou com minha cachorra e, desde sempre, comeu feito uma desvairada.
Logo a Luna foi diagnosticada com um problema congênito no coração e, depois, hipertensão, probleminhas esses que a obrigaram a tomar remédio diariamente. Mas nada disso a impediu de ter uma vida normal e de fazer boas bagunças pela casa. Luna sempre foi exagerada: muita comida, muita água, muito xixi, muito tudo. Verdade seja dita, era também muito bonita e muito ogra (delicadeza, definitivamente, não era o seu forte!). Anos atrás, teve um edema pulmonar que me fez comprar um carrinho para quando cansasse nos passeios. Lá íamos nós passear e, quando ela cansava, ia pro carrinho como uma madame.
É muito ruim saber que teremos que aprender a viver sem sua presença física. Dói demais saber que não teremos mais aquela rebolada matinal pra pedir um ossinho, que poderemos comer sossegadamente sem ninguém pedindo comida ao nosso lado, que dormiremos sem o som do seu ronquinho característico, que não teremos aquela recepção calorosa ao abrir a porta, que as almofadas estarão sobre o sofá quando chegarmos em casa, e não mais espalhadas pelo chão. Dói não escutar seu latido rouco, não sentir o cheiro, não pegar no colo ao estilo “rei leão”, não abraçar, não apertar, não beijar até ela resmungar, não deitar encolhida para que ela pudesse ficar esparramada na cama. A cama tá vazia, a casa tá vazia, o coração tá vazio.
Mas, apesar de toda essa dor – que não é pouca –, se eu tivesse que voltar no tempo, voltaria naquela feira e faria tudo de novo! E sabem por quê? Porque foi um privilégio tremendo tê-la em nossas vidas ao longo de 9 anos. É uma honra fazer parte da vida de um bichinho e dele poder cuidar, do começo ao fim. Ela foi muito amada e certamente nos deu mais do que nós demos a ela.
Posso dizer que cada dia ao seu lado foi um aprendizado. Aprendizado de superação, de carinho, de amor gratuito, de alegria com as pequenas coisas da vida. Agora, depois de sua partida, cada dia é um aprendizado, porém mais triste e doloroso.
De tudo isso, ficam três grandes certezas:
1ª) cães são a forma mais pura do amor;
2ª) apesar da dor que sentimos quando partem, SEMPRE vale a pena tê-los por perto;
3ª) quem é incapaz de amar um cachorro, bom sujeito não é!
A crise renal aguda que a levou foi rápida. Eu pedi muita ajuda para São Francisco, então prefiro acreditar que ele tenha feito o melhor para ela. Sei que hoje tem mais uma estrela no meu céu. Sei também que alguém muito especial para mim está cuidando dela lá em cima.
Luna, nossa gordinha amada, a gente se vê na ponte do arco-íris, tá?
Eros, Tina, Thiago, Bruno, Flavia e Bria sentirão para sempre a sua falta e agradecem imensamente os anos de convivência!