FRED

Hoje o gato mais incrível que conheci foi embora.
Gato por determinação da espécie, mas era muito mais que isso.
Achava que era gente.
Nobre, companheiro sem submissão, sempre companheiro, por perto mas na dele. Sempre me perguntei se nós te adotamos ou se foi o contrário.Fomos buscar você num abrigo. Você foi abandonado numa caixa de papelão. Lá viviam mais de 40 gatos.
Com um amarelo no colo, vi você parado na porta nos olhando. Sem mais, veio até mim e pulou no meu colo. Nos anos que convivemos poucas vezes você fez isso novamente. Mas sempre esteve ao meu lado.
Tinha um grande babeiro branco e retinas diferentes (uma traquinagem da genética), um olhar esperto. Veio com mais ou menos três meses e era tão pequeno que se escondia embaixo do sofá. Cresceu e chegou a pesar 8 fofos quilos.
Aos poucos percebemos que não era um gato comum. Literalmente se achava. Não tinha medo de nada. Sempre calmo e sereno. Colecionava manias. Me chamava para ir com ele até a ração, só para ter platéia na hora da refeição. Subia no vaso sanitário e só saía de lá se colocássemos água fresca no seu potinho.
Se chegássemos em casa e falássemos o seu nome, ele miava aonde estivesse. Vou sentir muita falta destas manias. Usou 10 das suas 7 vidas. Na décima primeira vez se foi e deixou a certeza de que nunca mais encontrarei um gato como ele. Ele foi o “meu bebê” até que o meu bebê de verdade chegou. Espero que ele nos perdoe por não ter dado a atenção que estava acostumado nestes últimos seis meses.
Ele sempre será o “meu bebê” felino…