Annabel

Annabel
“Mas nosso amor era mais forte que o amor
daqueles mais antigos
daqueles mais sábios ´
e nem os anjos lá nos Céus
nem os demônios no mar,
Não podem mesmo minha alma
da bela Annabel Lee afastar”.
O poema de Edgar Allan Poe inspirou seu nome: Annabel Lee. Mais do que o mito literário Annabel Lee foi a gata amiga e amorosa por mais de uma década, fase de encantos do filho que a escolheu e de mudanças significativas, que a bela Annabel Lee soube ajudar a escrever com seu carinho na linha da vida.
ANNABEL só soube amar de “um amor antigo e sábio”, feito de doçura e doação.
ANNABEL só trouxe alegria e foi uma companheira de horas alegres e difíceis.
Seu travesseiro ao lado do meu é a lembrança terna das noites nas quais, abraçada em meu braço, dormia serena. Gata´bebê, como a chamava ao vê´la dormindo: Naninha, Bebel! Sabia esperar se a mãe tinha companhia ou trabalho, na certeza de que parte da noite era só dela. E nessas noites eternas ouvia música, gostava de lieds e ronronava quando uma de suas canções era assobiada. Gata musical, com preferências musicais! My beautiful Annabel Lee!
Sua beleza era iluminada pelos olhos de ágata destacados na cor ora madrepérola, ora champagne meio rosada de seus pelos que, vaidosa, gostava de ter sempre escovados. Tínhamos seu ritual – que, metódica, apreciava ´ de amizade, carinho, amor, beleza e higiene.
Antes de tudo, como ninguém, sabia quando sua mãe estava alegre ou triste e qual a forma de se aconchegar com carinhos ou olhar com sabedoria. Seus lugares favoritos na casa apontam para um vazio cortante e doloroso e o ar pede o som de suas músicas favoritas. Suas memórias preenchem meus vazios e seu amor foi parte do sentido de minha vida.
Annabel Lee nosso amor será sempre grande porque, poeticamente doadora, você soube amar!
No dia chuvoso e frio de 29 de setembro de 2009, você se foi! Deveria ser primavera, mas Deus fez o céu chorar pela dor de nossa separação terrena. Algumas vozes me consolaram, mas suas cinzas que este crematório cuidou de me trazer com carinho, um dia se unirão às minhas e voltaremos a sonhar pelas vagas estrelas, embaladas de sons celestiais…
Enquanto espero nosso definitivo encontro, chamarei por seu nome quando chegar em casa. O nome Annabel sempre ecoará em nossa casa confirmando sua amada presença no silêncio de uma ausência de dor.
Na porta, permanecerá a placa com a qual a presenteei: “Here lives a very fine cat indidedd”, a confirmar a verdadeira dona da casa, aquele conhecida pelo nome de Annabel Lee.