Terapia Floral: A Ferramenta Essencial para o Enfrentamento do Luto

“Deve-se aprender a viver por toda a vida, e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer” (Sêneca)

“A reverência pela vida exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir” (Rubem Alves)

Na tradição filosófica, a morte e seus mistérios são temas recorrentes desde os tempos mais remotos da história. Já dizia Schopenhauer, “a morte é a musa da filosofia”. Apesar dos grandes pensadores incitarem a discussão do tópico, quando o assunto envolve a nossa família e os seres amados, haverá naturalmente uma repulsa emocional pela maioria das pessoas. Confesso ser difícil encontrar palavras para abordar uma temática tão delicada e amedrontadora quanto esta da matéria de hoje.

Em primeiro lugar, devemos compreender que a curta passagem por esta terra que conhecemos como vida, seja ela na forma humana ou animal, não é mais que um breve instante necessário no curso da evolução da humanidade.

Assim, dentre a etapas dessa vida, talvez a mais desafiadora de enfrentar seja a despedida dos entes amados, fato esse, que nos possibilita experienciar o árduo caminho chamado luto.

Quando nos referimos ao luto, precisamos entender que se trata de um processo de desequilíbrio emocional geralmente associado à extrema angústia, desencadeado por uma perda significativa em nossa vida: não somente o falecimento de alguém querido ou o falecimento de um animal de estimação, mas também, o término de um relacionamento afetivo íntimo, ou até mesmo, a perda de algo de muito valor como um emprego, por exemplo.

Na prática, o luto é uma fase de transição entre a ausência e a nova realidade, que muitas vezes representará um novo sentido para a própria existência. Para muitos, este processo se torna extremamente cruel, sendo necessário o auxílio profissional para resgatar o sentido da vida.

A duração do luto pode parecer eterna em alguns casos, enquanto em outros, é apenas mais uma fase da vida que o tempo irá resolver. Para restabelecer o equilíbrio emocional, o luto precisa ser vivido e superado. Embora pareça desesperador, existem possibilidades para amenizar o sofrimento e auxiliar na superação do processo do luto, preparando o enlutado para o enfrentamento de uma nova realidade.

A Medicina Integrativa, tem um importante papel no amparo ao paciente que é surpreendido com a perda de um ente querido e entra no doloroso processo de enfrentamento ao luto. Dentre as opções existentes, a Terapia Floral é comprovadamente eficaz em momentos de grandes desafios, sendo a ferramenta mais utilizada na minha prática clínica para auxiliar no resgate do equilíbrio mental e emocional decorrente destes acontecimentos. Isso, pois as vibrações sutis presentes nas essências florais induzem o reconhecimento dos limites e conflitos individuais, além de propiciar o alcance das virtudes latentes da fonte criadora.

Homens como Hipócrates (460 a.C.) “pai da medicina”; Paracelso, com a convicção de uma divindade dentro do homem; e Hahnemann, o fundador da homeopatia – que compreendeu que a doença tinha sua origem num plano acima do físico – todos compartilhavam do mesmo elo espiritual e defendiam a mesma ideia: “não existem doenças, existem doentes”. E, abraçando este raciocínio, em 1930, o médico inglês Edward Bach passa a dedicar os 6 últimos anos de sua vida na busca de um método de tratamento simples e natural, que respeitasse o enfoque espiritual que seu conceito de saúde e doença exigiam. E assim, surge a Terapia Floral do Dr. Bach, na qual, o processo de cura tem início ao encontrar a verdadeira origem dos males dentro de cada ser.

“A ação desses remédios consiste em elevar nossas vibrações e abrir nossos canais para a recepção do Eu Espiritual; em inundar nossa natureza com a virtude particular de que precisamos, e em expurgar de nós o erro que causa o mal. Elas são capazes, como uma música bonita ou qualquer outra coisa gloriosa, que nos eleva e inspira, de alçar nossa própria natureza, de aproximar-nos de nossa alma e, por esse mesmo ato, de dar-nos paz e aliviar nossos sofrimentos. Elas não curam atacando a moléstia, mas inundando-nos o corpo com as formosas vibrações da nossa Natureza Superior, na presença das quais a moléstia se derrete, qual neve ao calor do sol.” Edward Bach.

Infelizmente, ainda hoje, muitos desconhecem a dimensão e a pureza do amor que pets e tutores compartilham entre si. A candura desse sentimento faz com que a dor, no momento da despedida, seja um desafio de grandes proporções. Muitos são os casos que podem evoluir para depressão, dada a tamanha dificuldade em se restabelecer e aceitar a partida.

Na minha rotina, quando identifico que algum paciente ou algum membro pertencente a sua família encontra-se em fase final de vida, eu já dou início a terapia floral, na intenção de preparar o campo emocional e fortalecer os ânimos, para que a chegada do momento temido seja recebida com clareza, discernimento e aceitação.

Mas sabemos que nem sempre é possível prevenir esses acontecimentos e a notícia pode chegar de forma inesperada e colocar em choque todo o sistema familiar. E, mais uma vez, o recurso disponível para acolher o sofrimento, acalentar o coração, resgatar as forças, auxiliar na compreensão e possibilitar a transformação da dor em gratidão, são os florais!

Dr. Bach sempre acreditou que somos a causa dos nossos sofrimentos, tanto que sempre defendeu que a origem da doença no corpo físico seria reflexo de um profundo conflito dentro do próprio ser, entre a alma e a mente, ocasionado por persistência de estados mentais ou padrões vibratórios negativos.

Através do uso dos Florais de Bach, este estado conflitivo interno do tutor ou do PET, com predomínio de vibrações negativas, seria substituído pela virtude particular de que necessita (vibrações positivas), contida na essência de cada flor. Esta ação permitiria elevar o padrão vibratório, abrir os canais interiores, possibilitando circular a energia antes estagnada, conferindo paz, equilíbrio e harmonia ao ser.

Os florais capacitam o domínio das emoções, inspiram confiança e esperança. Auxiliam o corpo físico a revigorar suas forças e proporcionam serenidade a mente, favorecendo o enfrentamento e a superação do luto. Disponibilizar o uso dos florais para os que sofrem com a despedida, talvez seja o maior conforto que você pode oferecer neste momento de extremo sofrimento. Para mim, em particular, acredito que o uso dos florais propicia a força necessária para a aceitação e representa o acolhimento divino para a ressignificação da dor, em amor incondicional.

E, com muito carinho, deixo abaixo uma reflexão retirada do livro “O Profeta” de Kahlil Gibran, para homenagear os leitores que, ao acompanhar esta matéria, puderam viajar através do tempo e se recordar das despedidas que marcaram a estrada da vida.

A Morte

“Quereis conhecer o segredo da morte. Mas como podereis descobri-lo se não o procurardes no coração da vida? A coruja, cujos olhos, feitos para a noite, são velados ao dia, não pode descortinar o mistério da luz. Se quereis realmente contemplar o espírito da morte, abri amplamente as portas do vosso coração ao corpo da vida. Pois a vida e a morte são uma e a mesma coisa, assim como o rio e o mar são um. Nas profundezas de vossas esperanças e desejos dorme vosso silencioso conhecimento do além. E, como sementes sonhando sob a neve, assim vosso coração sonha com a primavera. Confiai em vossos sonhos, pois neles se ocultam as portas da eternidade. Pois, que é o morrer senão expor-se, desnudo, aos ventos e dissolver-se no sol? E o que é cessar de respirar, senão liberar o hálito de suas marés agitadas, a fim de que se levante e se expanda e procure a Deus livremente? É somente quando beberdes do rio do silêncio que podereis realmente cantar. É somente quando atingirdes o cume da montanha que começareis a subir. É quando a terra reivindicar vossos membros que podereis verdadeiramente dançar.” Kahlil Gibran

Mineia Alessandra Scaranello Malaquias, PhD

Mestre e Doutora em Ciências da Saúde

Médica Veterinária Integrativa

CRMV/PR 10.256

Terapeuta Multiespécie

Terapeuta Floral

www.medicinaintegrativa.vet

Endereços:

  1. Consultório Particular

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  1. Onsen Hospital Veterinário

Avenida Sete de Setembro, 6722 – Batel – Curitiba/PR

(41) 3500-8002

 

 Referências Bibliográficas:

  1. Terapia Floral do Dr. Bach – Teoria e Prática – Mechthild Scheffer

Editora Pensamento, 2019

  1. Os Remédios Florais do Dr. Bach – Edward Bach

Editora Pensamento, 2006

  1. Participando da Vida com os Florais de Bach – Carmem Monari

Editora Roca, 2002

  1. Sobre a Brevidade da Vida – Sêneca

Editora Vozes, 2021

  1. O Profeta – Kahlil Gibran

Editora Madras, 2009

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