Auto-Cuidado: Como Organizar a Vida e a Mente Após Uma Perda

Todas as situações nos trazem algumas oportunidades e em muitas delas, a chance de transmitir conhecimento e muitas vezes, alento à alguém. No Pet World,  muito além de cuidar dos pets que partiram, estamos sempre atentos ao emocional de nossos clientes e sempre buscando maneiras de respeitar os processos do luto tornando-os menos dolorosos.

https://unsplash.com/photos/zosE9lAYQlo

Num projeto de organização do lar que fiz, com o apoio de uma personal organizer, tive a sorte de conversar muito além de meus armários, pude eu, Léia, há tanto tempo envolvida com a dor da perda, aprender sobre algo que aflige muitas pessoas: lidar com o pós luto. Aquela parte difícil em que nos perguntamos o que deve ser feito dos pertences de nossos amados que partem.
Seja humano ou animal, essa dúvida veio à tona, e com ela a chance de ajudar tantas famílias a lidarem com os objetos: guardar,  doar, o que fazer?

Diante de tantas dúvidas no blog deste mês trouxemos a psicóloga parceira do Pet World, Bianca e a Personal Organizer Neura Alves para que nos esclareçam sobre o tema Lidando com os pertences de quem se foi.

“O luto pela perda de um animal de estimação é uma experiência que tem se tornado cada vez mais universal e, ao mesmo tempo, desorganizadora e assustadora para o ser humano. O sentido dado à vida é repensado, a identidade pessoal se transforma, nada mais é como costumava ser.

Nunca queremos que esse dia chegue, mas infelizmente, os pets têm vidas curtas e morrem antes de nós. Só quem já perdeu um animal de estimação sabe o quão dolorosa pode ser essa experiência. Além da dor, os tutores costumam ter muitas dúvidas após a morte do pet, que envolvem; o que fazer com o corpo, como contar para os outros familiares e para as crianças, o que fazer com os pertences do pet e, quando é o caso, como lidar com os animais que ficaram.

Um dos primeiros desafios para quem sofre com a perda do pet, é o preconceito. Esse tipo de luto é considerado não autorizado/não reconhecido, pois o âmbito familiar, social e cultural tende a não permitir que o enlutado sofra por esse tipo de perda.

Percebe-se isso pelos relatos dos tutores, segundo eles é comum ouvir frases do tipo: “sofrendo por causa de um animal?”; “joga fora as coisas dele, ou simplesmente doe para alguém”; essas atitudes impossibilitam que o tutor viva e elabore o seu luto, levando-o a reprimir seus sentimentos.Por isso, nesse post, em especial, trago sugestões em como lidar com os pertences de quem se foi:

1) Em primeiro lugar, entenda que não existem regras, o processo é singular: 

O luto é um processo natural, não linear e singular. Por isso, respeite o seu processo e não o compare com o de outras pessoas. Cada um tem a sua forma de sentir!

2) Vá no seu tempo, não tenha pressa:

É provável que amigos e outros familiares se ofereçam para lidar com os pertences do pet, na tentativa de amenizar o sofrimento do enlutado, pois acreditam que a dor será menor se tiver menos contato com coisas que lembrem a perda, contudo, essa não é a melhor opção.
É importante que o tutor tenha, no tempo dele, o momento de decidir o que fazer com os pertences. Faz parte do luto os sentimentos intensos com relação à perda e é preciso tomar cuidado para que outras pessoas próximas não invalidem essas emoções.
O tempo objetivo (horas) é diferente do tempo interno. Não existe um tempo correto a ser seguindo para você lidar com os pertences do seu pet. Esse momento deve respeitar o seu processo de luto, por isso, não se sinta pressionado em fazer algo do qual você sente que ainda não está preparado para.

3) Você não precisa se desfazer de tudo de uma vez só:

Esse conselho provavelmente é o que você mais vai ouvir dos familiares e amigos, para se desfazer de todos os pertences do seu pet. Contudo, lembre-se, não há regras, não há certo e errado, siga o que você considera que irá contribuir para o seu processo de luto, podendo ser se desfazer de todos os pertences, ou, escolher ficar com alguns.
Recomenda-se que os pertences de valor sentimental sejam deixados por último porque possuem muitas lembranças e sentimentos a respeito da perda que podem ser difíceis para o enlutado.

4) Caixa de recordações:

Para quem que decide guardar alguns pertences dos pets, é sugerido que faça uma caixa de recordação. Você pode comprar uma caixa e guardar alguns pertences do seu pet ali dentro, aqueles que tem um sentindo simbólico para você.

5) Dê preferência a rituais:

Os rituais de despedida são muito importantes para um processo de luto normal. Esses rituais contêm elementos tradicionais que contribuem para a melhor elaboração de uma perda. As principais funções dos rituais são marcar a perda de alguém importante e possibilitar a expressão pública do sofrimento. Dessa forma, recomenda-se a elaboração de rituais ao lidar com os pertences do pet, independente de qual seja, o importante é que tenha significado para o enlutado”.

Dra. Bianca – CRP 08/23898

Organização e Pós-Luto

“Não é nada fácil perder aqueles que amamos… Quem de nós nunca desejou eternizar alguém?

Dentre os vários momentos dolorosos pós-perda, talvez um dos que mais machuque seja o de mexer nos pertences de quem se foi. As roupas, o cheiro, fotos… Tudo parece doer.

Apesar de cruel, é algo necessário. O processo de conscientização entre presença e ausência pode despertar muitas emoções e reações intensas, como choro, raiva, frustração, angústia… E por aí vai.

Mas cada fase é crucial para o processo de cura. Todos estes momentos devem ser plenamente vividos, pois são suportes emocionais que, a longo prazo, trazem plena convivência com a perda.

Nós, como profissionais da organização, auxiliamos com muita discrição e respeito a reorganizar o espaço para que a rotina aos poucos vá voltando ao “normal”. No lugar da dor, nosso desejo é deixar apenas as boas lembranças.

Na organização pós-luto, sendo pets ou não, é preferível que as pessoas mais próximas estejam presentes, assim, poderão escolher aquilo que fica, e aquilo que será destinado a alguém ou alguma instituição.

Muitas recordações também poderão ser emolduradas, documentadas, fotografadas… Sempre visando o bem estar dos que ficam, através de um trabalho 100% empático e profissional.
A organização é essencial nestes casos, pois quando tudo está em ordem do “lado de fora”, é mais fácil de internalizar a ordem para “o lado de dentro”. A organização e equilíbrio emocional serão reflexo do mundo externo.

Ah, e não se esqueça, ao observar permanência excessiva na fase do luto, procure ajuda profissional”!

Neura Alves

Texto com introdução de Léia Penner, diretora do Pet World, em colaboração com as profissionais Bianca S. Gresele – Psicóloga especializada em luto e Neura Alves – Personal Organizer – Formada pela Oz! Organize sua vida! e pelo Pró-organizer, que trabalha facilitando a vida de pessoas através da organização.