A Saúde Mental dos Médicos Veterinários

 

Os veterinários são nossos aliados, muitas vezes anjos na vida de nossos amados pets, e por isso hoje nossa convidada é a psicóloga Bianca Gresele que vai nos falar sobre a saúde mental desses profissionais tão importantes. Ela atualmente defende sua Tese de Doutorado com o tema: Um Estudo Sobre a Saúde Mental do Médico Veterinário Brasileiro. Confira:

Nas profissões de alta assistência, onde empatia, compaixão e cuidado com os outros estão no centro da prática, alguns transtornos mentais são reconhecidos como um risco ocupacional. Trabalhar em uma função que impõe demandas emocionais à equipe, como a necessidade de mostrar compaixão e empatia pelos clientes que estão emocionalmente angustiados, pode tornar os profissionais particularmente vulneráveis ​​a esses transtornos.

Segundo estudos recentes, os profissionais de medicina veterinária estão sob alto risco de estresse ocupacional, esgotamento, baixo bem-estar psicológico e uma taxa elevada de risco de suicídio. Embora o interesse em estudos acadêmicos por veterinários tenha aumentado nos últimos anos, relativamente poucas pesquisas examinaram especificamente o trabalho emocional nas interações veterinárias e o efeito que o lidar com o luto dos tutores de animais de estimação, assim como, a realização de eutanásia, tem sobre o a saúde mental desses profissionais.

Dentro da profissão, são muitas as demandas da prática veterinária. Vários profissionais se sentem sobrecarregados devido às longas jornadas de trabalho, os plantões, às muitas horas em pé, ao pouco tempo de descanso, à baixa remuneração e às poucas perspectivas de crescimento na carreira. Além disso, sendo a clínica veterinária uma prática dependente de clientes, há pressões financeiras, competição com outros profissionais, reclamações de clientes, manejo da equipe, exigência por especialidades e atualização, somada à possibilidade de erros médicos.

Normalmente os profissionais escolhem o curso de medicina veterinária com a ideia de que irão lidar apenas com animais, e isso é um mito, pois cada animal vem acompanhado de um ou mais tutores e, durante a formação, pouco se aprende sobre comunicação e relação com os clientes, especialmente sobre os casos considerados difíceis. São os custos colaterais da profissão que, muitas vezes, não são considerados ao escolher esta carreira.

Diante disso, um estudo sobre suicídio na medicina veterinária foi realizado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) com 11.620 profissionais, e foi publicado recentemente na revista científica Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA). Essa pesquisa revelou que a taxa de suicídio é 3,4 vezes mais alta entre médicos veterinários quando comparado a população em geral. Além disso, o estudo também constatou que as mulheres veterinárias possuem mais probabilidade de cometer suicídio do que os homens veterinários. (JAVMA, 2019).

Outro importante estudo foi realizado recentemente, a empresa Merck Animal Heath, em conjunto com a AVMA (Associação Americana de Medicina Veterinária), e Brakke Consulting; foram reexaminados os seguintes fatores: a satisfação no trabalho, sentimento de compensação, esgotamento, transtorno por uso de substâncias, cyberbullying e o suicídio entre veterinários. Mais de 2.800 médicos veterinários norte-americanos participaram da pesquisa online (MERCK, 2020).

A pesquisa concluiu que a saúde mental é pior entre os veterinários mais jovens, entre 18 a 34 anos. Os veterinários dessa faixa etária são mais propensos a sofrer com transtornos psicológicos.

Confirmando outros estudos que já haviam sido realizados, os médicos veterinários apresentam maiores níveis de Burnout do que os médicos da medicina humana, e 52% dos entrevistados responderam que não recomendaria a profissão para outras pessoas, ressaltando a baixa remuneração e o estresse como principais motivos.  (MERCK, 2020)
As preocupações em relação a saúde mental na área veterinária estão melhorando, mas ainda existem grandes dificuldades no que se refere ao tratamento. Apesar do aumento da conscientização sobre esse assunto, tem os profissionais que se recusam a fazer tratamento, e aqueles que não possuem acesso, por questões financeiras.

Por fim, ressalta-se a importância do desenvolvimento de novas pesquisas sobre o tema, especialmente aqui no Brasil, onde o tema ainda é pouco estudado. Para que assim, possamos ir em busca de melhorias e mudanças nessa realidade!

REFERÊNCIAS

JAVMA, Set. 2019, Vol. 255, No. 5, 595-608.

MERCK, A. H. Merck Animal Health Veterinarian Wellbeing Study 2020. Merck Animal Health website:https://www.merck-animal-health-usa.com/offload-ownloads/veterinary-wellbeing-study. Publicado em Janeiro de 2020.

Psicóloga Bianca Gresele

▪️ Psicóloga Clínica – CRP: 08/23898

– Graduação em Psicologia pela PUC-PR.

– Especialização em Psicologia Analítica/Junguiana pela PUC-PR.

– Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP.

– Doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP.

– Experiência com o luto pela
perda de animais de estimação. Treinamento para equipe de clínicas e hospitais veterinários.

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